PAULO MENDES apresenta 
 no TRAMA quatro performances 
 da série S de Saudade

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TRAMA _ FESTIVAL DE ARTES PERFORMATIVAS
Organização da Fundação de Serralves e programado em parceria com a Matéria Prima e brrr _ Festival de Live Art.

+ info TRAMA
+ info TRAMA programa geral _ http://www.serralves.pt/FLIPBOOK/TRAMA_2011/

Participação de PAULO MENDES com a apresentação de quatro performances e um vídeo da série S de Saudade.


Performances a apresentar >

S de Saudade, Restos de Colecção
de 2011
Local > Livraria CE Latina, Porto > dia 15 de Outubro de 2011 > das 11h00_11h30 e das 12h00_13h00

sinopse >
Concepção e interpretação de Paulo Mendes.
Performance / instalação realizada para a montra de uma loja, neste caso a Livraria Latino na Rua de Santa Catarina na cidade do Porto.

Nesta performance o Senhor S é colocado em confronto com as pessoas que circulam no espaço público. Sentado no interior de uma montra e rodeado por objectos obsoletos e que nos remetem para outro tempo, ele lê os jornais e revistas da época que anunciam a morte de Salazar.

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silêncio, ordens, preces, ameaças, elogios, censuras, razões, que querem que eu compreenda do que eles dizem,
de 2010
Local > Coreto da Cordoaria, Porto > dia 15 de Outubro 2011> às 18h30

sinopse >
Tudo parece perdido.
É então que no coreto de um velho jardim solitário e gelado, duas sombras se encontram: a do Senhor S e a de João de Deus.
Anoitecer.
Dois personagens, ou apenas um. Uma cadeira e uma mala aparentemente abandonada.
Um discurso violentamente silencioso sobre o presente, ou talvez sobre o passado.

Performance concebida e interpretada por Paulo Mendes a partir de uma colagem dos textos À espera de Godot de Samuel Beckett e As Bodas de Deus de João César Monteiro.

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S de Saudade, a tortura da memória
de 2011
Local > Museu Militar do Porto > 16 de Outubro de 2011 > às 14h00

sinopse >
Este novo trabalho performativo foi desenvolvido para uma primeira apresentação na TRAMA e será apresentado no Museu Militar, antiga sede da P.I.D.E. no Porto.

Ao utilizar as antigas instalações da polícia política do Estado Novo, pretende-se evocar criticamente um passado de repressão e de ausência de liberdade de expressão.
Dois factos recentes, a transformação da principal sede da P.I.D.E. / D.G.S. na Rua António Maria Cardoso no Chiado em Lisboa, num condomínio de luxo. O recente processo movido pela família do antigo director da P.I.D.E./D.G.S. Silva Pais (1905-1981) contra a autora da peça de teatro A Filha Rebelde e outros elementos do Teatro Nacional D. Maria II, acusados de “ofensa á memória” demonstram como se continua a tentar apagar a recente historia política em Portugal.

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se pudessem parar de fazer para não fazerem nada, enquanto não param de todo.
de 2010
Local > Loja do nº90 da Rua Cândido dos Reis, Porto > 16 de Outubro de 2011 > 18h00

sinopse >
Performance concebida e interpretada por Paulo Mendes.
Velhas imagens impressas do período do Estado Novo, fotografias amarelecidas pela lassidão do tempo. Caixotes cheios de nada, decrépitas peças de mobiliário, e tempo em suspensão, degelo de uma memória rasurada.

Nesta performance não existe uma preocupação pelo passado em si mesmo mas uma confrontação crítica e subjectiva. Não é a pessoa do ditador que é questionada mas o simbolismo em si concentrado – figura do absurdo – como representante de um passado colectivo.
Este trabalho relaciona-se com as formas, os meios e os métodos, as imagens e as suas histórias e concepções que se transformaram num “património” comum.

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Será apresentado o trabalho em vídeo_

S de Saudade, Continuar Portugal (Secretaria Geral)
2010
DVD loop_cor_p/b_som_11’26’’

Local > Loja do nº90 da Rua Cândido dos Reis, Porto > 16 de Outubro de 2011 > 10h00_18h00

sinopse >
“O que é a verdade?”
questionava Salazar em 1966 no seu discurso em Braga nas comemorações do 40º aniversário do 28 de Maio.

O seu rosto já envelhecido desafiava a assistência no seu habitual tom professoral. Restavam os aplausos concordantes de uma elite instalada e fora de tempo que enunciava o início da agonia do Salazarismo.

Neste vídeo imagens dos livros oficiais que registam a viagem ao Império Português em África realizada em 1939 pelo Presidente da República General Carmona são adicionadas e fundidas com um anterior trabalho em vídeo desta série intitulado O Passado e o Presente (2008). Retrato do apogeu e queda de um regime: “Pela intensa vibração patriótica que produziu e pelo entusiasmo que despertou entre as populações, constituiu grandiosa e inesquecível apoteose ao Império Português e ao Estado Novo (...) Vago e inexpressivo documentário do esplendor da jornada triunfal, fica apenas como simples recordação êste albun de fugazes imagens.” (da introdução do livro oficial da visita).

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Sobre a série S de Saudade >
excertos de um texto mais amplo do autor que foi sendo escrito, actualizado e publicado ao longo do desenvolvimento desta série de trabalhos.



“Só temos o passado à nossa disposição. É com ele que imaginamos o futuro.”
Eduardo Lourenço, 1997

Esta série de trabalhos S de Saudade foi iniciada em 2007 tendo sido já realizadas várias exposições e performances em espaços mais convencionais como Museus e também em galerias e projectos independentes.
No seu conjunto foram produzidos ao longo dos últimos anos trabalhos em pintura, desenho, fotografia e vídeo. Nas performances a memória do Estado Novo é invocada através da personagem Senhor S.

“O que é a verdade?” questionava Salazar em 1966 no seu discurso em Braga nas comemorações do 40º aniversário do 28 de Maio.
O seu rosto já envelhecido desafiava a assistência no seu habitual tom professoral. Restavam os aplausos concordantes de uma elite instalada e fora de tempo que enunciava o início da agonia do Salazarismo.

Este projecto foge a um realismo mimético para criar uma distância crítica em relação á época. É uma confrontação crítica e subjectiva, não existe uma preocupação pelo passado em si mesmo mas uma aproximação crítica.
Não é a pessoa do ditador que é questionada mas o simbolismo em si concentrado – figura do absurdo – como representante de um passado colectivo. Este trabalho relaciona-se com as formas, os meios e os métodos, as imagens e as suas histórias e concepções que se transformaram num “património” comum.
A imagem criada por Salazar não é realista mas hiper-realista, esquecendo a singularidade e incorporando todos os males de um país provinciano e conservador.

“Politicamente só existe o que o público sabe que existe.
É muito difícil ver o mundo da janela do nosso quarto.”


Salazar, discurso na tomada de posse do director do S.P.N. António Ferro em 1933

A invisibilidade constitui o próprio estado de Salazar. Ele é invisível e quer-se como tal. Só raramente se mostra em público e ainda menos em manifestações de massas. A sua pessoa física, a sua presença corporal não se expõem aos olhares (…). Esta forma pouco habitual de presença de um Ditador não escapou a António Ferro: “E este nome, Oliveira Salazar, (…) começou a diminuir-se, a encurtar-se, até se engrandecer na sua redução à expressão mais simples, até ficar sintetizado nesta palavra sonora Salazar. Esse nome, com essas letras, quase deixou de pertencer a um homem para significar o estado de espírito dum país, na sua ânsia de regeneração, na sua aspiração legítima duma política sem política, duma política de verdade.”  
José Gil, 1995

O projecto S de Saudade apresenta um conjunto de trabalhos onde a fotografia, a pintura e o vídeo se complementam em imagens que questionam o papel das artes plásticas na representação e ao serviço do poder político.
O retrato foi sempre um tema recorrente na pintura. Que valor iconográfico e de relevância política podemos hoje retirar ao olhar para retratos de Salazar e de outras figuras da sociedade portuguesa de diferentes épocas?
Ultrapassadas pelo avanço da história essas representações estão agora armazenadas em esquecidos acervos de museu ou em arquivos esquecidos de televisão, como adereços ou fragmentos de uma peça fora de cena.

Numa sociedade de brandos costumes, este lento apagar da memória corresponde a uma amnésia colectiva.

“Eu sei o que quero e para onde vou.”
Salazar
“Quem nos governa? Uma realidade ou uma sombra?”
António Ferro, 1933

Quando olhamos para a personagem na série de fotografias _ o Senhor S _ imediatamente nos lembramos da figura de Salazar: da sua roupa, do fato e chapéu pretos, da sua pose, do seu peso, da contenção em geral, do corpo-fachada.
Mas à medida que as fotos se sucedem vemos esse mesmo homem a ler o número da Revista Flama que anuncia sua morte: Salazar Morreu. A identidade da personagem que Paulo Mendes encarna nestas fotografias performativas é ambígua. O Senhor S é Salazar mas é também uma imagem de um homem qualquer do Portugal de então. O corpo-fachada é um corpo-norma: exemplo a seguir, manual de instruções para um modelo único. Impávido e sereno o Senhor S não reage à notícia da sua morte. Porque sabe que o ditadura continua depois dele (historicamente em Marcello Caetano, psico-socialmente no português de hoje...)?
(…) Ora, como bem nos explica José Gil se não falarmos sobre ele cada vez será mais da ordem do fantástico, do inexplicável e aceitável porque incompreensível, inatingível, deificado. Destino inexorável.
Pelo contrário, com as feições de Paulo Mendes o ditador torna-se actual e bem vivo. Presentifica-se o ditador.”

Rita Castro Neves, 2009

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Série de trabalhos S de Saudade _
Este conjunto de trabalhos foi sendo desenvolvido entre 2007 e 2011 tendo tido já as seguintes apresentações _

S de Saudade, Retratos da Vida Portuguesa
exposição individual na Galeria Reflexus (2007)

S de Saudade, O Passado e o Presente
exposição individual no projecto independente IN.TRANSIT (2008)

S de Saudade, Diorama da nossa História Natural
exposição individual no Museu do Neo Realismo (2008)

S de Saudade, au hazard Salazar
exposição individual no Museu Nogueira da Silva (2009)

o passado também se inventa, Museu de Arte Popular exposição individual realizada no espaço independente Uma Certa Falta de Coerência (2009)

silêncio, ordens, preces, ameaças, elogios, censuras, razões, que querem que eu compreenda do que eles dizem,
performance apresentada no projecto Totemismo Urbano, projecto colectivo de performance no espaço público na cidade do Porto (2010)

S de Saudade, Continuar Portugal (Secretaria Geral) vídeo apresentado originalmente na exposição colectiva Tempo Emprestado Tempo Modificado na Casa das Artes de Famalicão, Projecto IMAN (2010)

se pudessem parar de fazer para não fazerem nada, enquanto não param de todo.
performance apresentada no ciclo de performances O Dizer do Corpo, Espaço Ilimitado - Núcleo de Difusão Cultural (2010)

PORTUGAL, EM PROCESSO (S)EM PROJECTO / IN PROCESS OUT PROCESS
conferência / performance apresentada no congresso internacional de design gráfico AGI ( Alliance Graphique Internationale ), que decorreu no Porto com organização do atelier R2 (2010)

S de Saudade, Restos de Colecção
performance / instalação realizada originalmente para a montra da loja Rubi na cidade do Porto no âmbito do projecto colectivo Troca-se por Arte, projecto artístico de intervenção pública (2011)

Caixa de Música, O Grande Baile do Estado Novo

performance / instalação realizada originalmente para o ciclo de performances Obras para Corpos Revistos e Actualizados, comissariado por Joclécio Azevedo para o NEC Núcleo de Experimentação Coreográfica no âmbito do projecto de intervenção pública na cidade Manobras no Porto (2011)

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12-10-2011

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